Segue aqui um texto MAGNÍFICO que, quando li, dei boas gargalhadas.
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É hoje! Hoje nada menos que 115 milhões de eleitores estarão acordando para o dia D. E VOCÊ é que vai decidir tudo. Já pensou que responsabilidade a sua? Se votar em Lula, não haverá segundo turno. A parada se resolve hoje mesmo. Mas se decidir algo diferente, teremos semanas difíceis pela frente. Vão sobrar grana e baixarias.
Por que EU? Dirá VOCÊ, olhando-se no espelho e vendo a sua mesma cara comum de todos os dias. Porque sim! Está escrito nas regras que, se obtiver a metade dos votos e MAIS UM, Lula leva de primeira. ACORDA, meu caro! Ainda não adivinhou? VOCÊ é o tal eleitor CINQÜENTA POR CENTO MAIS UM!
Besteira? Não é, não. É quase certo que UM dos eleitores, VOCÊ, fará hoje exatamente isso. É a estatística que garante. No momento em que cravar o seu voto na urna eletrônica estará confirmando o próximo presidente ou adiando o sonho. É 99% garantido, do ponto de vista da estatística. Mas o mais estranho, o único problema, residirá no fato de que VOCÊ, meu caro 50% + 1, jamais saberá como o SEU voto foi decisivo. Na verdade, VOCÊ jamais saberá que foi VOCÊ.
Minha cola...
Quem se expõe numa coluna sempre corre o risco de desagradar a gregos e troianos (e até a raros persas). Alguns (poucos) leitores buscaram sempre me enquadrar, cobrar posição. Irritam-se quando manifesto alguma preferência política em nome de uma suposta imparcialidade que deveria manter. Nada mais falso. Repórteres têm que buscar a isenção e a imparcialidade, sempre na medida do humanamente possível. Ambas as qualidades são como a perfeição, que não existe, mas que deve ser perseguida sem descanso. O cronista não tem qualquer obrigação com esses predicados. Não é imparcial nem isento, martela, indigna-se, adjetiva, faz coisas que não fazia quando reportava.
No Brasil, os jornais têm uma tendência a simular ''neutralidade''. Convém dizer a esse respeito que a eleição atual ainda não conheceu episódios como a edição do debate Collor x Lula e a TV Globo manteve, ao longo da campanha, uma atitude isenta, tentando orientar o eleitor sobre questões importantes. Nos Estados Unidos, os jornalões declaram voto no espaço editorial, mas isso não se traduz em qualquer favorecimento no noticiário. No Brasil, Mino Carta inovou. A sua revista, Carta Capital, fez opção por Lula. Do texto de Mino sobressai uma idéia. O jornalista, mais do que imparcial e isento, precisa ser HONESTO! Isso dito, abro aqui o meu voto:
Para presidente, Luis Inácio Lula da Silva, em respeito a sua biografia e por considerá-lo o mais maduro e politicamente preparado para governar. Estou cansado de ser administrado por ''gerentes'' que alegam eficiência, ignoram o povo e governam como se gerenciassem empresas, com o resultado que todos vemos. Quero um presidente que transforme o modelo econômico, que dialogue com a sociedade, que a motive e consiga reduzir a enorme dívida social que o país tem para com seus filhos. Serra me convenceu tanto de que é o melhor ministro da Saúde do mundo que sugiro ao Lula que o reconduza ao Ministério da Saúde.
Para governadora meu voto vai para Benedita. Respeito a biografia e aprovação de seu governo nesses cinco meses em que foi levada a administrar um desastre herdado de seu antecessor, o Aiatolinho... Perdão, Garotinho. Em episódios como a rebelião em Bangu 1 e no dia 30 de setembro, quando o Rio parou ante uma onda de boatos lançados por traficantes, mandando fechar o comércio, a governadora reagiu bem, com serenidade. Ela tem combatido o crime e justamente por ser negra e favelada tem uma autoridade moral que outros não têm para impor a presença do Estado nas chamadas ''comunidades'', garantindo a vida e a segurança dos cidadãos do morro e do asfalto. Impondo a presença total do Estado, reprimindo e prevendo o crime e criando alternativas para o domínio do tráfico.
Para senadores meus votos vão para Edson Santos e Leonel Brizola. Já estava na hora do velho caudilho tomar o rumo do Congresso. Aqui, mais uma vez, vale a biografia. Não votaria em Brizola para qualquer cargo executivo, mas acho que, no Legislativo, ele tem porte e capacidade de fazer um belo mandato em defesa do Brasil. Para deputado federal meu voto vai para o Biscaia e para deputado estadual votarei em Jamil Haddad, que tem história e honra a vida política por seu caráter e por suas idéias.
Lula escorregou feio logo na abertura do debate na Globo, ao responder a uma pergunta sobre critérios para definir quem é negro na discussão (idiota) sobre cotas raciais de acesso ao ensino universitário. Disse o candidato que existem ''métodos científicos'' para determinar a raça. Ciro reagiu e contestou a existência de tais métodos. Ciro tem razão. Cientificamente, não há nem raça. Quem defende ''métodos científicos'' para estabelecer uma raça é o nazismo. Lula não pode, nem de longe, ser acusado de nazista, mas uma declaração dessas num país mais sofisticado poderia custar-lhe a eleição." (Fritz Utzeri, JB 06/10) Muitíssimo coerente, não?!
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Fritz Utzeri é editor e um dos colunistas do Jornal do Brasil