O mundo do Orkut
Não se lê mais cartas, abre-se o e-mail. Não se liga mais para as pessoas, "tecla-se" pela internet. Não se escreve mais em diários - (ex)eternos confidentes -, "posta-se" em "blogs"Não se faz mais amigos que saem, se conhece pessoas no "orkut".Este, por sua vez, nos possibilita conhecer pessoas que nunca pensamos em saber de sua existência. Pessoas que, muitas vezes, não teríamos a oportunidade de conhecer, seja pelo local de moradia, seja pelos meios que frenquentam ou habitos que têm. Mas o mais fascinante do orkut, talvez, ainda seja o fato de falarmos com pessoas muito diferente de nós, coisa que, convenhamos, não estamos sempre dispostos a aceitar em nosso dia-a-dia.Se, por um lado, o orkut amplia nossa rede de amigos virtuais, ele pode fazer com que nos afastemos dos reais.Por exemplo, uma pessoa que tem dificuldade em se relacionar com as outras, vê o orkut como solução e acaba por, cada vez mais, aumentar essa dificuldade de aproximação com as "pessoas reais". E isso, ao meu ver, é um pouco perigoso. É perigoso porque há inversão de valores e é deixado de lado algo que deveria estar em plena "visão", para ser trabalhada e cuidada.A palavra "privacidade" sai de cena e o interessante passa ser bisbilhotar a vida alheia. Ora, que paradoxo é esse, onde faz-se amigos sem privacidade? Amigos que trocam palavras via "scraps" e se conversa pouco além do "oi, tudo bem?"?É claro que existem excessões (ainda bem!!!) e essas devem ser posta em quetão: pode-se conhecer pessoas maravilhosas nesse mundo azul bebê e fazer delas amigos de verdade. Amigos que, mesmo que não se vêm, trocam e-mails e confidências, se falam e se expressam deliberadamente. Isso é magnífico!Acredito que há o perigo quando se perde a noção da grandezadas coisas.É preciso viver também no real.